História e Tradição

É praticamente impossível falar de história e tradição sem envolver família. Afinal trabalhamos na concretização e realização de sonhos de inúmeras famílias que nos procuram diariamente buscando melhor qualidade de vida.

Em Itupeva, nossa história integra duas famílias a Salles (Bairro da Chave) e Gasparini (donos do antigo Sítio São João, hoje a Vila São João), posteriormente falarei um pouco da trajetória de cada uma.

A família é um sistema que se modifica no tempo, um sistema vivo. Seu processo evolutivo consiste num avanço progressivo até novos estágios de desenvolvimento e crescimento. Isso se dá na recuperação do tempo, na integração do novo com o velho, do horizonte futuro com o presente e a experiência passada.

Nós do Grupo Salles priorizamos estes fatores por achar primordial o conhecimento da região em que atuamos, sua história e evolução. Pois o trabalho torna-se muito mais gratificante quando podemos atender o cliente, falar sobre nossos produtos com propriedade e conhecimento de causa.

A decisão de atuarmos no ramo imobiliário desde a década de 90 nesta cidade teve grande influência familiar, pois como somos nascidos e criados em Itupeva, participamos e estamos acompanhando sua evolução.

O que recebemos de nossa família? O mito familiar, gestor da memória e da ocultação. Somos portadores desta herança em cada célula de nosso corpo onde, como num livro, estão impressas as narrativas que se desdobram no fluxo da vida entre o nascimento e a morte. Mas também recebemos como herança saberes e tradições que ao longo dos séculos passam de pai para filho, de mãe para filha, de avós para netos, de irmãos mais velhos aos mais novos, de tios para sobrinhos, etc.

A memória do passado é indispensável para construir o futuro.

Abaixo um trecho do livro Memórias de Itupeva I e II, de Rogério Pansonato que descreve um pouquinho da história da Família Salles e Gasparini.

Atualmente grande parte dos integrantes da família permanecem e trabalham na região como a Salles Imobiliária, Transportadoras, Comerciantes, quem nunca ouviu falar do Posto do Armando em Itupeva? e políticos como Tatiana Salles.

Família Salles

Cláudio Salles nasceu no dia 16 de agossto de 1916, na Fazenda São Simão, quando Itupeva ainda era apenas munícipio de Jundiaí. Era filho de José Salles e de Arcibele Clini Salles, que trabalhavam como colonos na fazenda. Era carinhosamente conhecido como “Xixo”.

Vieram da ítalia em uma imigração de 1896, instalando-se na fazenda São Simão até o ano de 1924. Nesta data, seus pais compraram dois lotes de terrenos em Itupeva, do saudoso Nicola Izzo, hoje (2011) Avenida Brasil 155 – Centro, em frente à matriz de São Sebastião.

Construiram uma casa grande com cinco dormitórios, cozinha, banheiro, sala, um salão comercial e um depósito, onde, na época, foi instalado uma estabelecimento comercial, armazém de secos e molhados, armarinhos e miudezas em gera, que durou até o ano de 1945.

Aps 10 anos de idade, Cláudio Salles já trabalhava no armazém e estudava. Aprendeu suas primeiras letras no bairro de Itupeva, onde também aprendeu o ofício de sapateiro. Logo aos 15 anos, já consertava e fabricava sapatos e sapatões, ofício que exerceu até o ano de 1944.

Foi músico e maestro da primeira Banda de Itupeva, em 1932, onde tocava 1º piston e cavaco banjo nas matinês e coretos da igreja.

Casou-se no dia 18 de janeiro de 1936 com Amélia Gasparini, no município de Itupeva, com quem teve seus nove filhos: Armando, Artêmio, Ademar, Antônio, Airton, Alcides Roberto, Aparecida, Maria e Mário Salles.

Continuou morando com seus pais e , em 1945 alugou uma casa do saudoso Emílio Chechinato, no bairro da Chave, nome este dado porque ali havia uma parada do trem da Sorocabana que possuia um desvio para os trens de carga. Então, quando vinha o trem de passageiro, ligava a chave para o trem de carga desviar, e o nome permaneceu.

Antiga Fazenda Patená. No prédio, havia um salão comercial e Cláudio Salles instalou ali um armazém de Secos e Molhados, com nome de Armazém São Roque, cujo santo era o padroeiro do bairro. Mais tarde, este padroeiro recebeu o nome de São Roque da Chave.

Em 1976, com seus filhos já criados e estudados, parou de trabalhar. Foi um lutador, um chefe de família exemplar e responsável cumpridor de seus deveres com seriedade e respeito. Educou todos os seus filhos da maneira que suas possibilidades permitiam e, hoje, a maioria reside em Itupeva, onde estão casados, com netos e bisnetos, uma prole marcante para o desenvolvimento do nosso município e da nossa cidade.

Foi sempre favorável ao progresso, à emancipação político administrativa do município de Itupeva, para o qual muito colaborou.

Foi um grande colaborador das festas das igrejas e quermesses, e ajudou a construir a Matriz de São Sebastião. Sempre auxiliou os menos favorecidos e as crianças, de quem sempre gostou.

Assim foi Cláudio Salles até 05 de novembro de 1992.

Família Gasparini

João Gasparini e sua esposa Rosa, eram os proprietários do Sítio São João, hoje a Vila São João, um dos bairros mais populosos de Itupeva.

O casal junto com seus doze filhos, 5 homens: Abilio, Jose, Orlando, Afonso e Geraldo e 7 mulheres: Amabili, Euvira, Palma, Amélia, Yolanda, Maria e Alzemira viviam da lavoura. O sítio São João produzia verdura e legumes. Gasparini tinha uma fabriqueta de vinho de várias frutas, entre elas vinho se laranja, tangerina e de frutas que fermentassem. Tudo o que produziam no sítio era vendido na cidade pelo próprio João Gasparini, de carroça.

A antiga fazenda dos Gasparini, hoje é a Vila São João.

Artemio Salles, neto de D. Rosa, conta sempre que vinha da escola passava na casa da nona para comer polenta. A seguir, regressava para casa com a nona falando “belo, vai pra casa direitinho que a mama Amélia está esperando”, uma nona muito preocupada e muito carinhosa com todos os netos.

Rosa, todo dia, após o almoço dormia um pouco. Era uma rotina. Certo dia, não acordou, morreu dormindo, como um anjo. “Eu estava na plataforma do trem retornando da escola e o tio Geraldo gritou para mim: fala pra mama que a nona morreu. Foi uma perda muito grande”, conta o neto.

João Gasparini foi um grande trabalhador, lutava de sol a sol para sustentar a família e vó Rosa, realmente, era como uma rosa.

Escolha mais que um lugar... Escolha um estilo de vida!